terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Filme do mês de janeiro: "Na América"

Um novo lar. Uma nova vida. Vistos por olhos que tudo veem.
Os poderes curativos da fé, esperança e até mesmo da magia balançam neste filme que se inspira na história actual de uma família irlandesa enfrentando a aventura das suas vidas em Nova Iorque.
Contada através dos olhos de duas crianças, Christy e Ariel, esta história interessante, por vezes engraçada e sempre comovente, debruça-se sobre a memória, segredos, amor, perda e começar de novo. Mas antes que as crianças e os seus pais, Johnny e Sarah, possam encarar totalmente os desafios e as maravilhas do seu novo lar, eles têm de se unir e triunfar sobre as emoções de um passado amargurado que persegue cada um deles.

Poema do mês de janeiro

REGRA SUA PARA QUEM QUISER
VIVER EM PAZ

Ouve, vê, e cala,
e viverás vida folgada:
tua porta cerrarás
teu vizinho louvarás
quanto podes não farás
quanto sabes não dirás,
quanto vês não julgarás,
se queres viver em paz.
Seis cousas sempre ve,
quando falares, te mando,
De quem falas, onde, e que,
e a quem, como, e quando:
nunca fies nem perfies
nem a outro enjuries,
não estes (1) muito na praça
nem te rias de quem passa,
seja teu todo o que vestes,
a ribaldos (2) não doestes (3);
não cavalgarás em potro.
Nem tua mulher gabes a outro,
Não cures de ser picão (4)
Nem travar contra razão.
Assim lograrás tuas cãs
Com tuas queixadas sãs.


(1)   Estejas
(2)   Velhaco, patife.
(3)   Infamar, insultar.
(4)   Indivíduo, brigão, valentão.

Dom João Manuel

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Boas Festas

Boas Festas Flash Animated Christmas Card por slimlineO1

A equipa da Biblioteca Escolar deseja a toda a Comunidade um Natal muito feliz e um novo Ano com tudo o que mais desejam.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Clube das Histórias

O desejo de Nathan

A minha vizinha, Miss Sandy, é reabilitadora de aves de rapina, ou seja, toma conta de aves feridas, como corujas e falcões, até elas serem capazes de voar de novo.

Todos os dias, vejo-a misturar medicamentos, distribuir comida e limpar as grandes gaiolas que tem no pátio. Por muito cansada ou ocupada que esteja, Miss Sandy tem sempre tempo para falar comigo acerca dos pássaros.

O meu maior desejo era poder andar sozinho para poder ajudá-la nas tarefas, em vez de estar apenas a observar. Mas, como tenho paralisia cerebral, os meus músculos não têm força suficiente para que eu ande sem cadeira de rodas ou andarilho.

Certo dia, Miss Sandy mostra-me uma coruja-das-torres, que tem uma asa partida. Embora a asa esteja dentro de uma tala, a coruja tenta escapar debatendo-se contra as paredes da caixa de madeira onde foi colocada.

— Vai ter de ficar aqui até a asa sarar — diz Miss Sandy. — Que nome achas que lhe devemos dar, Nathan? — pergunta-me.

Os olhos brilhantes e amarelos da coruja faíscam, zangados.

— Que tal Fogo? — proponho.

— Parece-me um bom nome — concorda Miss Sandy. — Espero que em breve a Fogo acalme.

Contudo, em cada dia que passa, a Fogo continua a lutar para ser livre e preocupo-me que se magoe de novo. Finalmente, Miss Sandy tira a tala da asa e coloca a coruja numa gaiola.

— A Fogo precisa de exercitar a asa — explica-me.

À medida que as semanas passam, a asa torna-se cada vez mais forte e a Fogo é colocada numa gaiola maior. Por vezes, ignora os ratos mortos que Miss Sandy lhe traz e prefere perscrutar o céu. Percebo que gostaria de caçar a sua própria comida.

— Quanto tempo falta para ela poder voar de novo? — pergunto, um dia.

— Uma asa partida demora muito a ficar curada — respondeu Miss Sandy. — Pareces tão impaciente quanto ela, Nathan!

E estou. Estou ansioso que a Fogo seja de novo livre. Quando estou na escola e vejo um pássaro a voar lá fora, penso na Fogo e deixo de ouvir o professor.

À noite, quando oiço um grito estridente vindo do pátio, pergunto-me se a Fogo estará a chamar os amigos.

Um dia, vejo a gaiola dela vazia. Miss Sandy colocou-a numa pequena caixa que segura nas mãos.

— Vou pô-la na gaiola de voo, para ver até onde consegue ir — explica-me.

Enquanto a sigo, oiço o coração a bater nos meus ouvidos. Se a Fogo voar bem, Miss Sandy irá libertá-la hoje! Sustenho a respiração enquanto ela vira a caixa gentilmente, de forma à coruja pousar no chão da gaiola. A Fogo dá um salto e voa, forte e bonita.

Contudo, de repente, inclina-se para o lado e começa a descer. Embora tenha os olhos bem fechados, consigo ouvir o baque suave da sua aterragem desajeitada. E quando abro os olhos, vejo Miss Sandy a abanar a cabeça. Dou-me conta, de repente, de que a Fogo nunca será libertada. Não tem a asa suficientemente forte para sobreviver na floresta.

— Pobre Fogo — lamenta Miss Sandy. — Queria tanto ser livre!

Viro-me para que ela não veja as lágrimas no meu rosto. Sei muito bem o que é ter um desejo que não se pode realizar.

Depois desse dia, a luz dos olhos da Fogo apaga-se. Recusa a comida e nem sequer tenta sair da gaiola.

— Por favor, não desistas! — sussurro-lhe.

Mas ela continua imóvel como uma estátua, em cima do poleiro.

Deve haver uma forma de ajudar esta coruja. Procuro, no computador, informação sobre aves feridas. Deparo com um corujão-orelhudo quase cego que toma conta de corujinhas órfãs até estas terem idade para serem libertadas. Talvez a Fogo consiga fazer o mesmo. Imprimo a informação e mostro-a a Miss Sandy, que diz:

— Vale a pena tentar. Tenho três crias que ficaram órfãs na tempestade da semana passada.

Miss Sandy põe as três crias na gaiola da Fogo. As corujinhas balançam as cabecinhas e emitem uns pios engraçados. Mas a Fogo não parece interessada em crias esfomeadas ou no que quer que seja.

Como não suporto vê-la tão infeliz, decido ficar em casa alguns dias, cheio de tristeza por ela e por mim. Uma noite, Miss Sandy toca à nossa porta e entra de rompante.

— Vem comigo, Nathan! — pede. — Tens de ver a Fogo!

Antes de me aperceber do que está a acontecer, já Miss Sandy conduz a minha cadeira aos tropeções até casa dela. Finalmente, estaciona-me junto da gaiola da Fogo.

— Olha! — sussurra.

Nem posso acreditar no que vejo. A Fogo pega num pedaço de carne que estava no chão e leva-o, aos saltos, até à gaiola-ninho, onde o depõe no bico de uma das crias. Embora o seu desejo de ser livre não possa realizar-se, a coruja encontrou algo de importante para fazer. E isso dá-me uma ideia!

No dia seguinte, vou até casa de Miss Sandy e olho para o pátio. Posso não poder andar sozinho, mas vou encontrar uma forma de a ajudar nas suas tarefas! Sei que os baldes são demasiado pesados; contudo, posso encher as tinas de banho das aves com a mangueira. Demoro bastante tempo a desdobrá-la e a arrastá-la até cada uma das gaiolas. Mas não desisto até as tinas estarem todas cheias.

Quando vejo a carrinha do correio a aproximar-se, vou até ao fim da alameda e recebo a correspondência para Miss Sandy. Enfio as cartas no bolso do meu casaco e levo-as até casa dela. Quando são horas de alimentar os pássaros, ofereço-me para ficar no escritório a atender os telefonemas. O telefone toca quatro vezes e anoto os recados.

Antes de ir-me embora, Miss Sandy abraça-me e diz:

— Ajudaste-me muito hoje, Nathan.

Fico corado e baixo a cabeça. Mas sorrio. Agora sei o quão orgulhosa a Fogo se sente!

Laurie Lears

Nathan’s wish: a story about cerebral palsy

Illinois, Albert Whitman & Co, 2005

(Tradução e adaptação)