quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Exposição de outubro - "Professor" - "A Escola de outros tempos"

 






















































Comemoração da Implantação da República - 5 de outubro, com uma pequena exposição de livros






Neste mês de outubro, descubra 10 bons motivos para ler!


Poema do mês de outubro

A esmola do pobre


Nos toscos degraus da porta
De igreja rústica e antiga,
Velha trémula e mendiga
Implorava compaixão.
Quase um século contado
De atribulada existência,
Ei-la enferma e na indigência,
Que à piedade estende a mão.

Duas crianças brincavam
À distância, na alameda;
Uma trajada de seda,
Da outra humilde era o trajar.
Uma era rica, outra pobre,
Ambas loiras e formosas,
Nas faces a cor das rosas,
Nos olhos o azul do ar.

A rica, ao deixar os jogos,
Vencida pelo cansaço,
Viu a mendiga – e ao regaço
Uma esmola lhe lançou.
Ela recebe-a; e a criança,
Que a socorre compassiva,
Em prece fervente e viva,
Aos anjos encomendou.

De um ligeiro sentimento
De vaidade possuída,
À criança mal vestida
Disse a do rico trajar:
- «O prazer de dar esmolas
A ti e aos teus não é dado;
Pobre como és, coitado,
Aos pobres o que hás de dar?»

Então a criança pobre,
Sem más sombras de desgosto,
Tendo o sorriso no rosto,
Da igreja se aproximou;
E após, serena, em silêncio,
Ao chegar junto da velha,
Descobrindo-se, ajoelha,
E a magra mão lhe beijou.

E a mendiga alvoroçada,
Ao colo os braços lhe lança,
E beija a pobre criança,
Chorando de comoção!
É assim que a caridade
Do pobre ao pobre consola;
Nem só da mão sai a esmola,
Sai também do coração.


Júlio Dinis

Filme do mês de outubro


Livros do mês de outubro


Viagens na Minha Terra,  de Almeida Garrett, junta vários estilos literários no relato de uma viagem de Lisboa a Santarém. Muito mais do que uma crónica de viagem, é sobretudo uma reflexão sobre Portugal do século XIX e um marco na literatura portuguesa. Publicada em 1846, a obra aborda a jornada a Santarém em diferentes planos, e, por isso, Garrett chamou-lhe  “Viagens” e não “Viagem”. Para além do percurso físico, narra a história de quatro personagens que retratam o próprio país dividido por uma guerra civil. 
Almeida Garrett (1799-1854) foi um poeta, prosador e dramaturgo português. Teve um papel importante como introdutor das ideias do Romantismo em Portugal. Passou a adolescência na ilha Terceira. Desde cedo manifestou inclinação pela literatura e pela política. Em 1823, Almeida Garrett segue para o exílio, em Inglaterra, devido à sua participação na Revolução Liberal do Porto. Em 1824, parte para a França e, influenciado por Shakespeare, começa a escrever poemas dentro do novo estilo. Em Paris, publica o poema “Camões” (1825), marco inicial do Romantismo português. Almeida Garrett viveu intensamente a vida política, sendo eleito deputado em 1845. 

Este livro é uma coletânea de contos fantásticos, escritos para os netos da autora, e ”para todos os que queiram ouvir a lenda da Verdade – tudo o que não se vê e paira entre a Terra e o Céu.” Encontram A história da Lua, Os dois cabritinhos, O rouxinol e a borboleta, Primeira manhã, Segunda manhã, Terceira manhã, A história do Fiel, Quarta manhã, Quinta manhã, Sexta manhã, e A manhã do sétimo dia.
Maria Henriques Osswald nasceu no Porto, em 1893, e faleceu, na mesma cidade, em 1988.Foi escritora e tradutora portuguesa. Em 1971, recebeu o prémio Federal Service Cross, único prémio de mérito geral da República Federal da Alemanha.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Hora do conto - Apresentação de dois contos pela D. Cininha da Biblioteca Municipal de Seia para as turmas dos 2.º e 3.º anos





Poema do mês de junho

DISSERAM QUE HAVIA SOL

Disseram que havia sol
Que todo o céu descobria
Que nas ramagens pousavam
Os cantos das aves loucas

Disseram que havia risos
Que as rosas se desdobravam
Que no silêncio dos campos
Se davam corpos e bocas

Mais disseram que era tarde
Que a tarde já descaía
Que ao amor não lhe bastavam
Estas nossas vidas poucas

E disseram que ao acento
De tão geral harmonia
Faltava a simples canção
Das nossas gargantas roucas

Ó meu amor estas vozes
São os avisos do tempo 

© JOSé SARAMAGO 
In Provavelmente Alegria, 1987